É provável que, pelo menos uma vez por ano ou na vida, alguém tenha enfrentado a tarefa de ler e interpretar um poema. Existem inúmeras formas de fazer isto e uma delas, a de retalhar o significado das palavras, parece indigna aos olhos de um Mestre:
De como não ler um poema
Há tempos me perguntaram umas menininhas, numa dessas pesquisas, quantos diminutivos eu empregara no meu livro A rua dos Cataventos. Espantadíssimo, disse-lhes que não sabia. Nem tentaria saber, porque poderiam escapar-me alguns na contagem. Que essas estatísticas, aliás, só poderiam ser feitas eficientemente com o auxilio de robôs. Não sei se as menininhas sabiam ao certo o que era um robô. Mas a professora delas, que mandara fazer as perguntas, devia ser um deles.
E mal sabia eu, então, que estava dando um testemunho sobre o estruturalismo o qual só depois vim a conhecer pelos seus produtos em jornais e revistas. Mas continuo achando que um poema (um verdadeiro poema, quero dizer), sendo algo dramaticamente emocional não deveria ser entregue à consideração de robôs, que, como todos sabem, são inumanos. Um robô, quando muito, poderá fazer uma meticulosa autópsia — caso fosse possível autopsiar uma coisa tão viva como é a poesia.
Em todo caso, os estruturalistas não deixam de ter o seu quê de humano.. -
Nas suas pacientes, afanosas, exaustivas furungaçôes, são exatamente como certas crianças que acabam estripando um boneco para ver onde está a musiquinha.
(Mário Quintana)
A saber:
Os autores estruturalistas procuram interrelacionar as organizações com o seu ambiente externo, que é a sociedade maior, ou seja, a sociedade de organizações, caracterizada pela interdependência entre as organizações. A crítica de Quintana está no apego a forma e não na intenção do autor, que é apenas fazer sentir.
Afanoso: Dificultoso, trabalhoso, laborioso.
Resumindo...
Ao remeter ao fato de desmontar o brinquedo, o autor quer destacar que quando fazemos isto com o poema ou com o boneco, até descobrimos como funciona, mas por isso mesmo perdem o encanto que exerciam em nós.