segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Análise de poemas

É provável que, pelo menos uma vez por ano ou na vida, alguém tenha enfrentado a tarefa de ler e interpretar um poema. Existem inúmeras formas de fazer isto e uma delas, a de retalhar o significado das palavras, parece indigna aos olhos de um Mestre:

De como não ler um poema
Há tempos me perguntaram umas menininhas, numa dessas pesquisas, quantos diminutivos eu empregara no meu livro A rua dos Cataventos. Espantadíssimo, disse-lhes que não sabia. Nem tentaria saber, porque poderiam escapar-me alguns na contagem. Que essas estatísticas, aliás, só poderiam ser feitas eficientemente com o auxilio de robôs. Não sei se as menininhas sabiam ao certo o que era um robô. Mas a professora delas, que mandara fazer as perguntas, devia ser um deles.
E mal sabia eu, então, que estava dando um testemunho sobre o estruturalismo o qual só depois vim a conhecer pelos seus produtos em jornais e revistas. Mas continuo achando que um poema (um verdadeiro poema, quero dizer), sendo algo dramaticamente emocional não deveria ser entregue à consideração de robôs, que, como todos sabem, são inumanos. Um robô, quando muito, poderá fazer uma meticulosa autópsia — caso fosse possível autopsiar uma coisa tão viva como é a poesia.
Em todo caso, os estruturalistas não deixam de ter o seu quê de humano.. -
Nas suas pacientes, afanosas, exaustivas furungaçôes, são exatamente como certas crianças que acabam estripando um boneco para ver onde está a musiquinha.

(Mário Quintana)

A saber:
Os autores estruturalistas procuram interrelacionar as organizações com o seu ambiente externo, que é a sociedade maior, ou seja, a sociedade de organizações, caracterizada pela interdependência entre as organizações. A crítica de Quintana está no apego a forma e não na intenção do autor, que é apenas fazer sentir.

Afanoso: Dificultoso, trabalhoso, laborioso.

Resumindo...
Ao remeter ao fato de desmontar o brinquedo, o autor quer destacar que quando fazemos isto com o poema ou com o boneco, até descobrimos como funciona, mas por isso mesmo perdem o encanto que exerciam em nós.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Tudo é questão de tempo.

O tempo é um dos temas que desafiam a humanidade, que nos lembra o quanto somos frágeis apesar de nossa luta em sermos inesquecíveis: para o mundo, para a sociedade ou para "alguém".
Os poetas nos falam um pouco de como sermos amigos do tempo...

O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.



Carlos Drummond de Andrade

Os mistérios da vida são imensos, mas se não aproveitarmos cada segundo para os sentir, nossa vida será mais filosofia do que emoção.

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.



Cecília Meireles

Ao concluir que o tempo é veloz para quem sorri e lento para quem sofre, cantar é sofrer e sorrir, é acima de tudo sentir e provocar sentimento, e isso é o que importa fazer na vida. É ação humana essencial no mundo. 

Tempo Será:

A Eternidade está longe
(Menos longe que o estirão
Que existe entre o meu desejo
E a palma da minha mão).

Um dia serei feliz?
Sim, mas não há de ser já:
A Eternidade está longe,
Brinca de tempo-será.

Manoel Bandeira

Idealizamos o momento ideal, da felicidade completa, tempo esse que nunca chega. É sempre um projeto. Note que a tal eternidade parece mais próxima de que o desejo (ideia de felicidade) e a palma da mão (fazer acontecer).

Ou seja, nossa alegria não mora no amanhã, mas neste instante, no JÁ! E não surge por encanto. É resultado das nossas ações, da forma como nos relacionamos com o tempo.
Se há algo a ser dito, diga.
Se for para desistir, desista.
Ou seja, não apenas pense, decida e faça.

E você, que tipo de relacionamento tem com o tempo?

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Últimos convocados para o Estado tomam posse.

Olá,

Os últimos convocados em 05/12/2011 para o magistério do Estado do MA tomaram posse em 25/01/2011 .
Que esta seja uma nova etapa de grandes realizações em vossas vidas. Boa sorte!

Clique aqui para ver convocados de Balsas.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Um dilema: artesanato é arte?


Sempre tive muito interesse pelo mundo das artes e o impacto dela, as vezes fraco, no mundo escolar. E nestes poucos anos de docência tive oportunidade de observar que, independentemente da faixa etária, crianças e adolescentes gostam de atividades relacionadas ao artesanato. O assunto história da arte, por exemplo, parece irrelevante se não for acompanhado pela confecção de algum item, ou como os jovens falam, "vamos fazer alguma artesanato, tia".
Contudo, como abordar a relação do artesanato com a arte?  

Uma das características do artesanato, em contraposição à arte então nascente, é que esta se caracteriza pela busca de novas formas e estilos, enquanto o artesanato é conservador e repetitivo. Nele, a experiência é passada de pai para filho e não como conhecimento estético, forma estilística, mas como a forma do objeto, ou seja: um copo se faz assim, uma bandeja se faz assim, um cálice se faz assim.” Ferreira Gullar

De MT/Brasil - Por Indiana Marques
Conforme Gullar, quando a produção é em série (várias peças repetidas), destituída de outros fins que não a de ser um utensílio ou artigo de vestuário, não podemos ver nisto arte. Porém vemos peças, como esta ao lado, que revelam a cultura de um povo, que são fruto de pesquisa dos traços e costumes da região. Em um caso assim, onde não há só finalidade comercial, mas o desejo de tornar palpável um modo de vida, a arte começa a se insinuar.
Enfim, há mesmo limites entre arte e o artesanato? Parece que este limite reside na intenção do artista ou mesmo no sentimento provocado em quem a vê.Por falar nisso, vale lembrar que outra questão cuja resposta ainda não é única é a definição de arte. 

A estreita relação entre a arte e o artesanato

Há uma polêmica envolvendo artistas contemporâneos que diz respeito a autoria de suas próprias obras. Geralmente quando nós imaginamos um artista realizando sua criação, vemos-os envoltos em tintas e pincéis ou, no caso de esculturas, com cinzel ou pregos, enfim.... Mas atualmente, muitos projetam a obra e formam uma equipe, encarregada de a montar, porém o crédito fica apenas com o artista projetista. Seria uma obra de arte ou de engenharia?
Para uma boa parte dos artistas, o envolvimento precisa ser total: desde a idealização, escolha dos materiais à confecção da obra. 
De "Lixo Extraordinário" - Por Vik Muniz
Pois ao transformar a obra em uma espécie de linha de produção, a arte perde sua característica principal que é a expressão do sentimento e do conhecimento de quem a criou e passa a ser uma construção impregnada do sentimento de cada um que a tornou real. Desta forma é pouco provável perceber o quanto o artista "idealizador" contribuiu e se a peça foi melhorada ou não por quem a montou.  
Nisto artesanato e a obra de arte convergem, e por tal motivo o artesão se vê como artista: o envolvimento seu com a obra é integral. 


A arte é sempre uma nova forma de falar de nós e do mundo

Como afirmei, arte não possui uma definição exata. Mas nas diversas tentativas de a explicar, segue a ideia de que é uma forma de falar de quem somos e porque assim somos, do que fazemos no mundo e do que ele faz em nós. 
O artista brasileiro Vik Muniz traz o lixo, cada vez mais comum em nossa vida, em um novo conceito de reciclagem. Não como simples objeto de decoração como as que o Artesanato vem tentado introduzir em nosso quotidiano, mas como texto para falar de nós mesmos.
Muniz idealiza a obra e juntamente com os catadores, recolhe as peças dos lixões para compor a peça, posteriormente fotografada. Clique nos links de vídeo e no site para saber mais sobre ele e suas obras.   


Em construção, a arte é sujeito e objeto

Constata-se que a arte, como elemento que está sujeito a cultura de quem a produz, está sempre em mutação, à procura sempre de novas formas de dizer, investigando e propondo que nós mesmos nos analisemos. Ora provoca, ora traz paz, até apenas mostra o que não temos tempo para ver. 
Penso que ela é um sentimento, e por isso mesmo, não se define só por uma visão.  Cada um sabe o que sente e como sente, mas nem sempre sabe como dizer.

E você, o que sente a respeito do que é Arte?


Veja aqui para saber: 
Sobre uma definição de arte;
Sobre entrevista com Indiana Marques saber o que é o artesanato.
Sobre acusações polêmicas entre artistas envolvendo autoria.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Volta às aulas! Sejamos todos bem vindos!

Enquanto os alunos procuram opções de cadernos, canetas e escolas, também os professores buscam estar cheios de gás para o novo ano.
Eu estou com ótimas expectativas: tenho desafios pela frente. Além da Língua Portuguesa, que é minha paixão, tenho pesquisado muito sobre Artes e como otimizar o ensino desta no Ensino Médio.
Pretendo oportunizar um ampla gama de atividades nas duas disciplinas, mas sei que somente ao conhecer minhas turmas é que poderei identificar quais itens do meu acervo são compatíveis com o perfil dos alunos.
Em 2011, tive uma ótima experiência com uma Gincana baseada nos princípios das Inteligências Múltiplas e, provavelmente, irei a reformular e a implementar nas turmas onde irei trabalhar Língua Portuguesa. Mas este é um assunto para outro post...
No momento o foco é reunir material para Artes.
Até logo e um 2012 maravilhoso para todos nós!