É provável que, pelo menos uma vez por ano ou na vida, alguém tenha enfrentado a tarefa de ler e interpretar um poema. Existem inúmeras formas de fazer isto e uma delas, a de retalhar o significado das palavras, parece indigna aos olhos de um Mestre:
De como não ler um poema
Há tempos me perguntaram umas menininhas, numa dessas pesquisas, quantos diminutivos eu empregara no meu livro A rua dos Cataventos. Espantadíssimo, disse-lhes que não sabia. Nem tentaria saber, porque poderiam escapar-me alguns na contagem. Que essas estatísticas, aliás, só poderiam ser feitas eficientemente com o auxilio de robôs. Não sei se as menininhas sabiam ao certo o que era um robô. Mas a professora delas, que mandara fazer as perguntas, devia ser um deles.
E mal sabia eu, então, que estava dando um testemunho sobre o estruturalismo o qual só depois vim a conhecer pelos seus produtos em jornais e revistas. Mas continuo achando que um poema (um verdadeiro poema, quero dizer), sendo algo dramaticamente emocional não deveria ser entregue à consideração de robôs, que, como todos sabem, são inumanos. Um robô, quando muito, poderá fazer uma meticulosa autópsia — caso fosse possível autopsiar uma coisa tão viva como é a poesia.
Em todo caso, os estruturalistas não deixam de ter o seu quê de humano.. -
Nas suas pacientes, afanosas, exaustivas furungaçôes, são exatamente como certas crianças que acabam estripando um boneco para ver onde está a musiquinha.
(Mário Quintana)
A saber:
Os autores estruturalistas procuram interrelacionar as organizações com o seu ambiente externo, que é a sociedade maior, ou seja, a sociedade de organizações, caracterizada pela interdependência entre as organizações. A crítica de Quintana está no apego a forma e não na intenção do autor, que é apenas fazer sentir.
Afanoso: Dificultoso, trabalhoso, laborioso.
Resumindo...
Ao remeter ao fato de desmontar o brinquedo, o autor quer destacar que quando fazemos isto com o poema ou com o boneco, até descobrimos como funciona, mas por isso mesmo perdem o encanto que exerciam em nós.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Tudo é questão de tempo.
O tempo é um dos temas que desafiam a humanidade, que nos lembra o quanto somos frágeis apesar de nossa luta em sermos inesquecíveis: para o mundo, para a sociedade ou para "alguém".
Os poetas nos falam um pouco de como sermos amigos do tempo...
O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.
Os poetas nos falam um pouco de como sermos amigos do tempo...
O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.
Carlos Drummond de Andrade
Os mistérios da vida são imensos, mas se não aproveitarmos cada segundo para os sentir, nossa vida será mais filosofia do que emoção.
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.
Cecília Meireles
Ao concluir que o tempo é veloz para quem sorri e lento para quem sofre, cantar é sofrer e sorrir, é acima de tudo sentir e provocar sentimento, e isso é o que importa fazer na vida. É ação humana essencial no mundo.
Tempo Será:
A Eternidade está longe
(Menos longe que o estirão
Que existe entre o meu desejo
E a palma da minha mão).
Um dia serei feliz?
Sim, mas não há de ser já:
A Eternidade está longe,
Brinca de tempo-será.
A Eternidade está longe
(Menos longe que o estirão
Que existe entre o meu desejo
E a palma da minha mão).
Um dia serei feliz?
Sim, mas não há de ser já:
A Eternidade está longe,
Brinca de tempo-será.
Manoel Bandeira
Idealizamos o momento ideal, da felicidade completa, tempo esse que nunca chega. É sempre um projeto. Note que a tal eternidade parece mais próxima de que o desejo (ideia de felicidade) e a palma da mão (fazer acontecer).
Ou seja, nossa alegria não mora no amanhã, mas neste instante, no JÁ! E não surge por encanto. É resultado das nossas ações, da forma como nos relacionamos com o tempo.
Se há algo a ser dito, diga.
Se for para desistir, desista.
Ou seja, não apenas pense, decida e faça.
E você, que tipo de relacionamento tem com o tempo?
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